Desemprego, moda e autoconhecimento

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12 de março de 2014 por Lorena Matheus

De cara, já parece que eu faltei as aulas de redação do cursinho e não sei desenvolver títulos. Eu sei sim, prometo. Só que essas três palavras são a base da lição que eu com muito custo aprendi e vou tentar compartilhar. SIM, é um post semi-autobiográfico, mas AGUENTA AÍ, pode ser que valha a pena!

Há exatos 11 meses atrás, resolvi largar meu emprego “oficial” pra correr atrás do meu sonho da casa própria do negócio próprio. Como já tinha tido uma experiência de muito sucesso antes, achei que ia ser moleza. Bom, basta ler os “11 meses” citados ali em cima pra sacar que “não está sendo fácil” (CEGA, Kátia). Se estou há 11 meses desempregada, conclui-se que estou há 11 meses sem um salário. Moleza, se eu pudesse contar com a ajuda financeira de qualquer outra pessoa que não eu mesma. Mas, como o mundo é injusto e o karma infalível, eu nasci assim, eu cresci assim, vou morrer assim: dura!

Desde os tempos mais primórdios, eu gosto muito de moda. E moda barata, principalmente. Encontrar e entender a “moda possível” é o que mais me estimula a continuar estudando, lendo e curtindo o assunto. Mas vocês podem imaginar que consumir moda sem ter um salário fixo é bastante complicado. E foi aí que fui obrigada a ter uma mudança radical de atitude, que venho humildemente compartilhar.

Como qualquer ser humano aqui presente, eu cometia com frequência o erro de comprar coisas que não usava. “Ah, mas tá usando tanto” – e PUM, R$50 numa saia plissada. “Nossa, mas tá tão baratinha” – PÁ, R$15 numa cropped de ombro caído. Com isso, ganhei um guarda-roupa entupido de coisas que eu usei uma vez só, ao mesmo tempo que reclamava que não tinha roupas pra trabalhar ou sair (quem nunca?).

O único registro da blusa cropped e da saia plissada (saudades - nem tanto - 2010)

O único registro da blusa cropped e da saia plissada (saudades – nem tanto – 2010)

A primeira coisa que o desemprego me reensinou é que qualquer dinheiro é dinheiro. Não é porque alguma coisa custa R$10 que ela precisa ser comprada sem que exista grandes chances de ser usada mais de uma vez. Botem a mão na consciência e me digam: quantas vezes vocês já não compraram uma coisinha só porque estava em promoção e depois deixaram a coitada lá, abandonada? Eu penso no preço das minhas coisas dividido por quantas vezes eu as uso. Por exemplo: se eu compro uma calça jeans de R$80 e a uso duas vezes por semana, esses R$80 vão se “diluindo” em cada uso, até que no fim das contas você já “pagou” essa calça pela quantidade de vezes que ela foi usada. Em compensação, se você comprou aquele maxi colar de pedras verde fluo só porque ele custava R$15 e ele ficou lá esquecido no limbo das suas bijuterias, foram R$15 que você pegou e – sente o drama – QUEIMOU. E queimar dinheiro é pecado!

Eu queimo dólar que é pra doer mais no coração

Eu queimo dólar que é pra doer mais no coração

Coisa de gente doida pensar assim? Talvez, mas é meu jeitinho! Nesse sentido, pode ser que valha mais a pena você comprar aquela bolsa bacana de R$100-e-tantos que você vai usar todo dia do que comprar uma clutch de acrílico que daqui a dois meses vai ser a coisa mais brega que você já viu na vida (isso, é claro, considerando que você tenha R$100-e-tantos pra gastar, o que não é o meu caso). Essa é uma lógica muito de mãe, mas que a gente ignora até que sinta de verdade a falta que fazem os R$20 gastos naquela peça que você nunca usou.

Finalmente tive a oportunidade de usar essa foto de Vanessão segurando R$20 que tava guardada há ANOS

Finalmente tive a oportunidade de usar essa foto de Vanessão segurando R$20 que tava guardada há ANOS

Essa ideia do “valor real” das coisas nos obriga a olhar nossas compras, nosso corpo, nosso sentido de estilo sob outra perspectiva. Uma perspectiva mais lógica, digamos. Eu adoraria me deixar levar e comprar todos os vestidinhos esvoaçantes e girly, baratos ou caros, que têm por aí. Mas, com o perrengue, vem o autoconhecimento. Hoje, sou obrigada a deixar a emoção de lado e lembrar que NUNCA D’ANTES na história desse país eu usei os vestidinhos esvoaçantes e girly que eu comprei. Ponto pra mim: reconheci que é um estilo que gosto mas que não combina comigo e, por isso, não merece meus suados reais.

Os vestidinhos que nunca usei ou evitava usar...

Os vestidinhos que nunca usei ou evitava usar…

A falta de dinheiro me levou a me enxergar melhor e a me avaliar dentro da perspectiva de cada “espaço social” do qual eu participo: como profissional, como namorada, como consumidora, como pessoa que sai de vez em quando pra tomar uma cervejinha, etc. “Lorena, como assim?”. Bom, como eu não podia mais gastar com qualquer coisa, fui obrigada a determinar com o que deveria gastar, de modo que cada peça comprada fosse melhor aproveitada dentro de cada uma das situações que eu citei anteriormente. Portanto, percebi que, se tenho a opção de comprar uma blusinha com estampa de frutinha bonitinha que tá todo mundo usando ou comprar uma listrada, pra mim, levando em conta as minhas particularidades e o meu cotidiano, a blusinha listrada é muito mais negócio.

Com "like" e "dislike" pra ficar bem didático!

Com “like” e “dislike” pra ficar bem didático!

É um exercício muito bacana de autoconhecimento e observação. Você passa a compreender melhor seu corpo (que tipo de decote, corte, manga mais te agradam, por exemplo), seu senso de estilo e, consequentemente, se torna um comprador muito mais consciente.

Portanto, companheiros de dureza, convido-os a fazerem uma pré-análise mental antes de cada potencial compra. Ao verem um produto que fez o coração bater mais rápido, façam as seguintes perguntas:

– “Qual o valor real desse produto?” – o preço dele condiz com sua qualidade ou é puro valor agregado? É uma peça/produto que eu vou usar muitas vezes? Se sim, em quais ocasiões?

– “Essa peça/produto combina com o meu estilo?” – será que eu não estou empolgado pra comprar só porque sei que “tá na moda” ou porque está em promoção? Essa peça cumpre todos os pré-requisitos pra que eu me apaixone por ela (modelagem, tecido, cor, padrão ou estampa) ou tem só algum detalhe que me atraiu?

– “Essa peça/produto se encaixa no meu cotidiano?” –  é algo que eu posso aproveitar em diferentes situações do meu dia-a-dia? (não adianta comprar mil saídas de praia se você vai à praia uma vez ao ano, né?).

Fazendo essas perguntinhas antes de sair esbanjando por aí, tenho certeza que vocês farão escolhas muito mais sensatas! E talvez, assim como eu, vocês consigam tirar da pindaíba várias lições a serem usadas lá na frente, quando ficarem milionários (todos ficaremos)!

Um beijo pra vocês e boa sorte nas compras!

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3 pensamentos sobre “Desemprego, moda e autoconhecimento

  1. Arantxa disse:

    nossa, isso é bem verdade! depois que a gente começa a depender do próprio dinheiro pra comprar as coisas, a gente toma consciência dessa síndrome do “tá barato”. e é bom não só pro bolso como também pra gente, já que a acabamos comprando mais peças das quais realmente gostamos ao invés daquelas que vão pro fundo do armário.

    post ótimo, Lorena, tô batendo palmas aqui ♡

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